Bio

“Cândida is a great promise and reality from Brazil! Recently pointed as “Artist of the week” by TuneCore, many times listed in Top 10 Charts of World Music by ReverbNation in New York, Candida has received many signals of her potential artistry. Huge classical background, Candida is a singer, songwriter, pianist, arranger – a real creative modern artist, that dialogues with images, sound, texts and culture. Based in New York and Brazil – Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Candida shows a summary of the modern Brazilian Culture, together with her team of musicians and producers – the Grammy winner Alê Siqueira, and Deeplick, one of the biggest DJ/Producers from Brazil. A new sound from Brazil that definitely came to stay and bright in the scene of world music!”

 

Dizem que Cândida é como o samba – não se sabe se nasceu no Rio ou na Bahia.

Cresceu entre os fortes laços da família baiana e os estudos no Rio de Janeiro. Vivia em Niterói e atravessava a ponte todos os dias para cursar música na mais tradicional escola do país. Quando não era a Baía de Guanabara, era a Baía de todos os Santos. Talvez daí venha essa ancestralidade plural, que mistura elementos indígenas, afros e universais.

Podemos nos ater aos seus diplomas, mas o mais rico de Cândida vem de sua infância e de sua personalidade. De família musical, cheia de artistas e professores. Gente com um poder de comunicação e persuasão, que ela certamente aprendeu direitinho. Difícil não se render à forte presença desta moça, que se afirma decidida em seus textos, sua fala, seu canto e em seu piano.

Com cinco anos, já estava iniciando seus estudos de piano, e nunca mais parou. Crescia por fora na mesma medida que a música crescia por dentro. Ouviu de tudo – com especial atenção a sua avó, pianista seresteira, e as tias cantantes. Enquanto sua mãe praticava algumas baladas ao violão, ela, disfarçadamente, aprendia por tabela – sem atrapalhar os estudos de piano erudito, claro. Até que, final dos anos 80, seu irmão mais velho, baixista, trouxe pra casa, um “super teclado” – na sua visão de menina. Era um pequeno Casiotone MT-101, relíquia em casa hoje em dia, mas foi onde Cândida começou suas experiências musicais – bateria eletrônica, filtros, timbres – o olho brilhava. O repertório triplicou: de Bach a Pixinguinha.

Já na adolescência, Cândida se dividia entre concursos de piano, o “violão e voz” com os amigos, e o curso de Biotecnologia, preparando a carreira médica, prometida a seu pai. Mas o amor pela arte falou mais alto, e Cândida decide dedicar sua vida à Música. Sr. Egberto Gismonti diz, mais tarde, em sua dissertação de mestrado, que não é o músico que escolhe a música, mas sim a música quem o escolhe. Sendo assim, retifico, Cândida já tinha sido escolhida. Na universidade, o contato com mestres a faziam cada vez mais estimulada a adentrar nesse universo. Sua proximidade com o violonista Marco Pereira influenciou definitivamente seu interesse pela música popular brasileira. Desenvolve uma carreira de concertista e acadêmica, mantendo o interesse pelo popular. Música de câmara, concertos, gravações, artigos. De gosto musical extenso, praticou um vasto repertório na música erudita, e sua preferência está no período contemporâneo, tanto acústico quanto eletroacústico.

Junto, vieram as viagens ao exterior. Suas incursões pelos Estados Unidos e pela América Latina alargam os horizontes da pianista. Sobretudo NY encanta, seduz e arrebata – o encontro com tantas expressões musicais e mercados num mesmo lugar. Áfricas, Américas e Europas juntas. Um novo mundo e meio musical se abre aos olhos da menina.

Já de bagagem acadêmica reconhecida como pesquisadora e professora de música de uma universidade federal, Cândida escolhe assumir suas composições, e investir na sua musicalidade mais original. Queria se  tornar mais que uma musicista, uma comunicadora de uma cultura singular e rica, lapidada pelo conhecimento antes adquirido. Afirmar suas raízes, rever sua essência, enxergar o mundo do aqui e agora, aceitá-lo e, de tanto se encantar, cantá-lo em verso e prosa. Além de acordes, intervalos, formas, claro…Mergulha de cabeça na pesquisa e produção de suas músicas junto aos seus amigos baianos. Dois anos intensos de composição, arranjo, escutas, prática, busca. Pés na terra, olhos no horizonte e ouvidos no mundo. Enquanto isso, compunha trilha pra balé, gravava pra cinema, disco pra um, pra outro, recital e show aqui, acolá – e ainda havia a doação àsala de aula. Correu este Brasil mais que nunca, como Mário e Villa, para ouvir in loco o canto dos índios do Acre e dos bregas do Ceará.

Não tinha pressa. Dizia que aguardava o sinal, e por isso ouvia atentamente cada onda que presenciava em suas frequentes visitas a sua paixão – a praia.

O EP CANDIDA

Pois que este sinal veio pelo convite de Alexandre Siqueira, o produtor que ela admirava há tanto tempo, apresentado por Carlinhos Brown. Alê havia produzido trabalhos de referência, como os de Marisa Monte, Brown, Arnaldo Antunes, Ana Carolina, Leila Pinheiro, Mayra Andrade, Omara Portuondo, e por aí vai. Era o cara certo para ajudá-la a dar forma a esse som de tantas fusões.

Selam uma parceria, engajam amigos e gravam. Surgiu um EP com 3 faixas para dar partida ao projeto. O parto de uma linguagem, uma sonoridade, um trabalho, uma artista. Mais uma vez, gravado entre o Rio e a Bahia. Convidou seus amigos pra gravar, aqueles mesmos que dividiam jams e ensaios em sua casa. Músicos jovens porém talentosíssimos, ainda desconhecidos para o Brasil, e gente já consagrada, como o lendário zabumbeiro Ferreti. A intenção era manter a força da construção coletiva e a energia do ineditismo e estréia pra todo mundo. Ainda contaram com participações inusitadas, como os pneus de Peu Meurray e o coro de ekedes em Yema Samba, vindas diretamente do terreiro mais antigo de Salvador. E é sob o canto e bênção de Mãe India que a faixa termina.

“Os arranjos foram quase na íntegra mantidos do momento da composição. Um acerto aqui, outro ali, mas procuramos manter a essência do ímpeto da criação”. Os músicos tiveram total liberdade pra criar, dirigidos por ela e por Alê. Os arranjos para sopros tem convidados especiais e mais revelações. A parte de madeiras divide as assinaturas de Cândida e Hugo Sanbone, maestro da Sanbone Pagode Orquestra, outra revelação baiana. São essas madeiras que se escuta na introdução e coda psicodélica e ousada em O Mapa.

Já os  malemolentes metais de Amar Demais são assinados por Maico Lopes, trompetista com quem dividiu um duo por 10 anos, enquanto ele ja guigava e escrevia para Marisa Monte.

Os teclados, todos eles, foram gravados por Cândida. “Fiquei encantada quando entrei no estúdio do Guilherme (Arantes) e vi todos aqueles teclados analógicos. De cara, fui pro piano. (…) Aquele piano maravilhoso naquela sala… parecia uma outra dimensão.” Mas piano mesmo, só há em Yema Samba. Pras outras faixas, Alê queria os teclados. “Foi um experiência muito nova pra mim. Alguns deles eu estava tocando pela primeira vez. Não sabia o que fazer, porque não sou tecladista, não sei fazer levada. Até que Alê disse: pensa em trilha. Saí despejando idéias, pro Alê se virar depois.”

Além de piano, Yema Samba tem um clavinete que parece que canta junto com a voz no badauaê. Mapa tem hammond e Amar Demais tem um wurlitzer incrível, dissolvente e inusitado ao final. “Não quero ficar presa no marketing da cantora que toca piano, mas ele é meu instrumento principal, não tem jeito. Vou cantar e tocar no show, com certeza”.

Apesar de sua formação erudita, Cândida optou pela desconstrução. Escolhe o caminho da naturalidade para sua voz, que nem de longe lembra o lírico, e abusa dos sussurros e da voz quase falada, uma tendência das produções musicais atuais. Os pianos e teclados que gravou também valorizam mais a idéia musical do que o virtuosismo. “Estou num momento onde a naturalidade importa mais do que a técnica. Já posso viver isso. Minha bagagem musical prefiro empregar no âmbito da idéia e da sonoridade, trabalhar com texturas, muitas camadas de timbres. (…) Mas pode ser que amanhã seja tudo diferente. Tenho muita música pra gravar ainda, e já estamos pensando em me apresentar de outros jeitos também. Me permito essa liberdade de hoje tocar e cantar mais, amanhã menos. Também não estou presa a estilo, nem ànecessidade de agradar a mercado e nem a ninguém. Fiz minha carreira profissional de uma forma muito sólida e não dependo de nada. Só quero ser singular.” O som foi um valor muito importante para esse trabalho. O som foi um valor muito importante para esse trabalho. Engajamos Flavinho Souza, figura nobre dos estúdios da elite, para operar as gravações e mixar. Os estúdios eram pra lá de abençoados: o de Carlinhos Brown, o de Guilherme Arantes, além do de Tito (dentro do galpão Cheio de Assunto de Peu Meurray) e o de Carlos Fuchs, com a estonteante vista de Santa Teresa.

Depois de tudo pronto, Alê somou ainda a participação especial de Kassin  (nas guitarras com Fuzz em Yema Samba) e convocou Carlos Freitas para dar o toque final do som na masterização.

Três canções, escolhidas no sufoco, dentre tantas ótimas opções. “Não conseguia achar nenhuma regravação pra fazer e Alê descartou logo – você tem muito material, vamos fazer todo autoral.” Suas canções têm climas vários, que falam de leveza, sedução, fantasia, também de dor e dúvida. Compõe entre amigos, àbeira mar, traduzindo um ambiente descontraído e natural, apesar de urbano. Escreve também em espanhol e inglês, influência de suas viagens. Fala com leveza do mundo, enquanto escolhe a dedo cada nota e cada palavra. Coisa de quem já tocou todas as notas, e agora sabe quais são as essenciais. E só precisa delas, nada mais.

O MAPA DA MINHA CASA

“O Mapa da minha casa inicialmente era um reggae. Mas Alê escolheu um clima meio francês, com um groove danado, especialmente pela bateria e pelo baixo acústico bem duro, no tempo. Mas com a presença de sanfona, pife, zabumba e triângulo, não dava pra não lembrar um xote. Por isso que defino ela como uma polka-xote-reggae.” Fala ainda sobre a ousada introdução e coda: “Era esse clima onírico da letra. Trabalhamos isso com a distorção na sanfona, com a telecaster e a espacialidade dos vocais.” A canção surgiu de uma proposta de seu maior parceiro de composição e arranjos, o também baixista do trabalho Milton Pellegrini. Pensavam num reggae para o Natiruts gravar, nessa onda de fazer hit. Mas Alê mudou o plano: “nós que vamos gravar”.

AMAR DEMAIS

Amar Demais é uma dessas delícias da música brasileira. Lembra um samba pela sua percussividade, mas possui metais que lembram uma gafieira. E seu compasso em 7 no refrão dão um gingado a mais para a letra, altamente sedutora e instigante. A voz é perfeitamente colocada, de maneira sutil e envolvente,  e a interpretação é quente e sedutora. Irresistível e suscita emoções!

Amar Demais é uma de suas parcerias com Leonardo Reis, músico velho conhecido da MPB, que divide parcerias também com Ivete, Marisa, S. Jorge. Dividem também o arranjo, e possuem ainda outras pérolas a serem gravadas no disco completo.

YEMA SAMBA

Yema Samba foi o maior trabalho rítmico deste EP. “a ideia era tratar um tema afro de uma maneira diferente do tradicional”. Alê sugere uma visita aos ritmo africanos e orienta os percussionistas. A faixa começa com um congo (que lembra o funk carioca), passa para um ijexá no refrão, e depois apresenta um embalar. Essas células são fruto das pesquisas musical desse produtor que tanto já viajou o mundo. O trabalho tímbrico também é riquíssimo. Quase 50 canais preenchem sua sonoridade, que tem pianos incidentais, clavinetes falantes, cavaquinho e pneu entre seus instrumentos. Muito trabalho eletrônico sobre os acusticos e as vozes, tanto a principal quanto o coro das ekedes.

Yema Samba foi composta na praia de Itacoatiara, em Niterói (RJ), sem nenhum instrumento, com seu parceiro Jeã de Assis. “O que tem ali, parceira?”, apontava Jeã para o horizonte. “Ali é a África, e essa agua vem de lá.” Assim nasceu e começou essa música, que já caiu na graça dos DJs e agita as noites dançantes de Salvador.

A linguagem da composição desse trabalho está sintonizada com o universo pop, especialmente o que circula nos festivais europeus sob o título de world music. São canções simples, de letras e temas simples, porém originais, inteligentes e cativantes. Seu valor maior está na produção musical, que envolve um amplo tratamento eletrônico somado à diversidade do acústico. Riqueza de timbres, polifonias eletrônicas e uma sonoridade impecável. Influências de uma bagagem erudita e acadêmica, da artista e do produtor. Tudo isso confere ao trabalho uma textura contemporânea, comercial e universal, para dialogar com ouvintes de escuta livre e antenada com o mundo. “Em terras de Chicos, Betânias, Egbertos, é bom saber bem qual o seu lugar como artista, qual a sua mensagem. Se não, pode parecer difícil existir depois deles.”

Este trabalho é totalmente original – autoral e auto-interpretativo. Cândida é artista madura, carismática, feminina, senhora de sua criatividade e expressão. Está pronta para realizar sua meta, de representar o Brasil no cenário fonográfico internacional. Sua mensagem carrega a ancestralidade de nossas raízes, a atualidade dos nossos jovens e o futurismo da pesquisa sonora.